| Teatro UBM
O Teatro UBM surge com o intuito ambicioso de promover uma ação cultural e artística de primeira linha, cuja qualidade e alcance ultrapassem os limites de nossa instituição e seja visto em várias cidades do país, dentro e fora de ambientes acadêmicos. As produções do Teatro UBM terão sempre como ponto de partida a pesquisa científica que buscará fazer interagir diferentes áreas acadêmicas e emprestará à obra artística um importante manancial teórico e reflexivo para um fórum de discussões que invariavelmente sucederá as apresentações. Professores, alunos egressos e alunos de diferentes cursos participaram do projeto, formando um mosaico diversificado e representativo do meio acadêmico do UBM. Buscando resgatar com exatidão a experiência da criação de uma obra teatral com o devido apuro artístico, os participantes-atores foram submetidos a uma intensa, exaustiva e indispensável preparação vocal, corporal, interpretativa e teórica.
Projeto K.
Como primeira iniciativa do Teatro UBM, o Projeto K. surge como uma proposta de interação entre a Literatura, o Direito, o Teatro e as Artes Visuais. O PROJETO K. inclui a pesquisa científica “A Teatralidade do direito e do poder na literatura de Kafka”, a montagem do espetáculo “Punições de Kafka”, fóruns de debate e, possivelmente, publicações sobre os resultados dessa pesquisa. Para dar forma a este projeto, o COPEP viabilizou a reunião dos cursos de Artes Visuais e Direito para criar um grupo de pesquisa. A Pró-reitoria comunitária do UBM também foi fundamental na concretização exitosa do projeto. A integração desses diversos setores institucionais de forma harmoniosa foi fundamental e comprova a disposição geral de positivar as iniciativas sérias e de relevância acadêmica.
O Kafka do Teatro UBM
“Quando se abre um dos meus livros, acontece o seguinte: é preciso imaginar que se está no teatro”. (Kafka)
“Punições de Kafka” reúne três contos de Kafka: “A Metamorfose”, “O Veredicto” e “Na Colônia Penal”. Kafka sugeriu certa vez que os três escritos deveriam ser reunidos em um único livro, pela afinidade de suas temáticas. Este projeto que Kafka nunca conseguiu realizar, se concretiza agora, em cena, pelo Teatro UBM.
Kafka nasceu em Praga em 1883, quando a Tchecoslováquia era parte do Império Austro-Húngaro. A história de sua vida é um emaranhado de dicotomias. Como judeu não pertencia ao mundo cristão, por falar alemão não se identificava com os tchecos, como trabalhador de uma companhia de seguro não se afinava com o mundo burguês, mas como filho de burguês não se sentia operariado, não era do escritório por que se via como escritor, e como escritor não conseguia conviver com o universo das instituições, sobretudo a familiar. Embora tenha morrido muito antes de poder presenciar os efeitos do nazismo, ele parecia ter pressentido os horrores da segunda guerra mundial e o destino da pequena comunidade judaica em Praga, nos campos de concentração. Os regimes totalitários parecem ter despertado em Kafka mais do que a impotência dos homens diante dos ditames do Estado e das leis; revelou, isso sim, um cenário sombrio de homens controlando homens, dentro e fora das instituições sociais.
Punições: o universo kafkiano Franz Kafka percorre, de forma atemporal, as inquietações dos homens frente ao complexo sistema social e jurídico. Os descompassos entre individualidade e sistema são descritos como perversos diante do fato de que em todas as ações humanas existe a presença marcante da autoridade que gera medo e insegurança, em ciclo de relações de poder que são alternados, mas nunca desaparecem. O homem Kafkiano é parte constitutiva de uma engrenagem da qual ele desconhece seu significado. Para Kafka, não há nada mais perigoso que a normalidade da vida em sociedade. Nela, os acontecimentos mais assombrosos são tratados sem estranhamento, ou seja, o horror é considerado natural. Além disso, os gestos mais indiferentes fazem lembrar que estamos permanentemente sob vigilância e punição. Em todas as relações, os homens recebem inscrições para pertencerem ao mundo da vida e seu não cumprimento define a culpa e o crime, da qual a morte pode ser a única saída. Alias, tudo cheira a morte, não a morte de personagens heróis, mas as mortes cotidianas, banais e burocráticas. A morte também nunca é o final da história, está continuará apesar daqueles que morrem, a despeito da causa que mata. Para muitos críticos, a literatura de Kafka é niilista por não propor uma saída para as situações sociais que desenha A figura paterna é sempre o nó inicial de uma rede de figuras, quase sempre masculinas, que parecem incorporar o poder e ser sua expressão. |
| Mais informações
| Ficha técnica Direção dramaturgia e preparação corporal - Almir Ribeiro Coordenação dos estudos sobre Literatura e Direito - Beatriz Wey Elenco - Alan Palhas - Alisson Minas - Bárbara Ingrith - Beatriz Wey - Daniel Passos - Danilo Nardelli - Gabriela Dezidério - Lélis Maria Iluminação - Alan Minas Cenário -Edson Borges e Almir Ribeiro Produção - Beatriz Wey Figurinos - Beatriz Wey e Almir Ribeiro
Fale Conosco Núcleo de Difusão Cultural UBM Tel: (24) 3325-0222 ramal 303
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